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"She-Ra e as Princesas do Poder" (2018 - 2020): um olhar mais profundo e sensível de uma série dos anos 80 | Análise Crítica

Originalmente criada como um spin-off de "He-Man e os Mestres do Universo", "She-Ra: A Princesa do Poder" foi uma série televisiva animada, exibida entre 1985 e 1986. Em 2018 a Netflix apostou em uma reformulação dessa série que foi desenvolvida por Noelle Stevenson e produzida pela DreamWorks, intitulada "She-Ra e as Princesas do Poder". Esse novo olhar ao mundo de Etheria resgatou personagens nostálgicos e trouxe para eles uma profundidade e humanidade jamais esperada. A história veio cheia de representatividade e discussões mais do que relevantes sobre a complexidade dos seres e das relações humanas.

Finalizada no ano de 2020 em sua 5ª temporada, a série da Netflix ganhou o público chegando a 93% de aprovação. Isso sem mencionar os inúmeros elogios tecidos pela crítica especializada. A animação possui um visual incrível que traz individualidade e personalidade à animação, entregando personagens únicos. O desenvolvimento geral da história é incrivelmente satisfatório. É possível perceber as nuances das emoções e conflitos internos representados nos personagens e nas situações cotidianas sugeridas, bem como a forma como eles se desenvolvem ao longo dos episódios. 


A história se passa no reino de Etheria e tem como personagem principal Adora, uma órfã criada na Zona do Medo, onde é treinada para lutar por Hordak, o mestre da horda. Condicionada a acreditar que luta pelo bem, sua vida é cheia de mentiras e mistérios sobre sua origem. Enquanto o mestre aumenta o seu tirano domínio sobre o planeta de Etheria, as princesas perdem o controle sobre seus reinos e os habitantes são cada vez mais massacrados e oprimidos. Um dia Adora se perde na floresta e encontra uma espada mágica que a transforma em She-Ra, a princesa do poder, destinada a proteger Etheria e seu povo. Ao perceber as intenções malignas de Hordak e todo o estrago que sua sede de poder causou ao planeta, ela se une à resistência e passa a lutar ao lado das princesas contra a Horda.

She-Ra e As Princesas do Poder (2018 - 2020) | Ficha Técnica

Criação: Noelle Stevenson
Exibição: Netflix
Temporadas: 5
Episódios: 52
Avaliação: ★★★★★



A obra é super indicada para todos os públicos. Às crianças e aos mais jovens há o atrativo do visual incrível, com um design de personagens que além de ser agradável e nada sexualizado (coisa muito comum nas animações dos anos 80 e muito presente na obra original) também evidencia a individualidade e ensina a lidar com os nossos sentimentos. Trabalha o respeito e a importância da diversidade em níveis profundos, ao mesmo tempo em que trata tudo com muita naturalidade e sutileza. Em todos os episódios demonstra o valor e o poder da amizade e do amor, da tolerância e do perdão. Aos mais velhos, a série chega com um belo enredo, trazendo um ótimo desenvolvimento da narrativa, dos acontecimentos e dos personagens. Aborda questões tão humanas e sensíveis que será impossível você, mesmo no auge dos seus 30 anos, não se emocionar.

Aliás os personagens não são unidimensionais. Adora é a maior heroína da animação e inicialmente está ao lado do tirano Hordak que, por sua vez, é o maior vilão da animação (até determinado momento) e no final tem a sua redenção. O chefe da horda que tem suas emoções e motivações bem trabalhadas e extremamente humanas - entre elas uma terrível necessidade de aceitação - é também um prato cheio para a discussão da individualidade e de como nossas diferenças, e até mesmo nossas imperfeições, nos tornam únicos, especiais e valorosos.

O final é maravilhoso. Não deixa pontas soltas na história apresentada e finaliza muito bem as ideias propostas. O fechamento dos personagens principais foi imensamente satisfatório e um tanto surpreendente. Não pela condução da história, que durante seu desenvolvimento deu indícios de que o destino dos personagens caminhava para esse fim, mas porque a indústria preconceituosa e temerária acaba evitando que os relacionamentos se concretizem da forma como foi, principalmente em séries animadas, que em sua essência visam um público mais jovem. Esse olhar mais humano e sensível não estava presente na obra original e esse final não seria uma realidade na série dos anos 80, infelizmente. Sou muito agradecida por essa releitura. "She-Ra e as Princesas do Poder" tem uma qualidade inquestionável. Colocarei para os meus filhos assistirem e ficarei muito feliz em ver e rever sempre que tiver oportunidade.

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